Escolas desenvolvem projetos para incentivar visita dos alunos às bibliotecas

17/05/2017 - Josélia de Lima/Governo do Tocantins

Algumas escolas públicas estão investindo em projetos que promovam o encontro do aluno com o vasto acervo das bibliotecas públicas. É o caso do Centro de Ensino Médio Castro Alves, em Palmas, uma unidade escolar que conta com 1.042 alunos, e 70% deles frequentam com assiduidade a biblioteca Cecília Meireles.

“Temos um acervo com mais de cinco mil livros. Todo início de ano, recebemos, dos professores de Língua Portuguesa, a lista de livros literários que serão trabalhados em sala de aula. E, além disso, desenvolvemos um projeto de premiação para os estudantes que realizaram mais leitura no final de cada semestre e desenvolvemos o Cantinho da Leitura e a Caixa Literária”, contou a educadora Maria do Socorro Zacarias, responsável pela biblioteca.

A escola realiza, uma vez por ano, o projeto Sebo, com a venda de livros, sendo que os recursos adquiridos são investidos na própria unidade escolar, além de promover a troca de livros entre estudantes. A diretora Maria do Carmo Ribeiro dos Santos explicou que, com os recursos do Sebo, implantou a rádio escolar e adquiriu tapetes e gibis para a biblioteca. “Neste ano, com o projeto Sebo, queremos comprar mais uma antena de celular para ter sinal disponível para todos os estudantes”, esclareceu.

“Considero a biblioteca o espaço mais importante da escola. E, aqui, os professores a utilizam como se fosse extensão da sala de aula, estamos satisfeitos com a procura dos alunos por nossa variada coleção literária”, disse Maria do Carmo.

Na Escola Estadual São José, localizada em Palmas, a biblioteca Criança Esperança conta um acervo com mais de 12 mil livros, desde obras da literatura brasileira a universal, como os livros paradidáticos de Ciências, Geografia, História, Linguagens e Matemática.

Um dos responsáveis pela biblioteca, o educador Luis Carlos Sachet, explicou que mais da metade do acervo está digitalizada, facilitando assim o controle dos livros e dos empréstimos. Ele trabalha na biblioteca há quatro anos e, em uma mesa, colocou vários livros em exposição para incentivar a leitura. “Separamos os livros que oferecem aos alunos uma fundamentação teórica para que eles se preparem para o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], vestibulares e outras provas externas”, contou.

Alunos e livros

Dara Dionízio Martins tem 17 anos e cursa a 3ª série do ensino médio no CEM Castro Alves. Ela visitou a biblioteca por influência de colegas, levou um livro para casa e gostou. Hoje, ela é leitora assídua e conta com a influência dos pais, que a incentiva.  “Ler nos ajuda a ter uma visão do mundo, saímos de nosso limitado universo e vamos mais além do que a imaginação do autor”, ressaltou.

A estudante aprendeu a ser determinada e contou que gostaria de fazer a diferença como um ser social, tendo mais respeito pelos seres humanos e pela natureza. “Com pequenos atos, poderemos ajudar a mudar a sociedade”, disse Dara.

Maria da Conceição Ferreira, de 16 anos, também do CEM Castro Alves, é uma maranhense da cidade de Coelho Neto e foi na biblioteca pública municipal que ela passou a gostar de ler. “Quando vim morar em Palmas, em 2014, procurei uma biblioteca para frequentar. Gosto de ler livros variados, principalmente de ficção científica. Com a leitura, aprendemos novas palavras, a falar melhor e sinto que fico mais calma”, comentou.

O estudante João Pedro da Silva Bisneto, de 17 anos, nasceu na cidade de Guadalupe, no Piauí, cursa a 1ª série do ensino médio no CEM Castro Alves, e é também um dos frequentadores da biblioteca. João Pedro contou que os livros promovem novas emoções e foi, na escola, que ele passou a observar mais o seu papel na sociedade. “Acho que se tivermos mais respeito pelo outro, se praticássemos menos bullying, menos racismo, o mundo seria melhor”, frisou.

O despertar para a leitura

Os estudantes Vitor Américo Barreira, de 16 anos, e Eduardo Vinícius Nunes de Souza, de 16 anos, ambos matriculados na 2ª série do ensino médio, tiveram, em algum momento da vida, um despertar que os levaram a ler mais.

Vitor ouviu a história de um menino que tirava notas ruins, mas que, um dia, resolveu estudar e se superou em todas as disciplinas. Daí, ele passou a pensar que também poderia se superar, e passou a se dedicar mais aos estudos. “Na minha casa, tem um baú de livros didáticos que leio sempre e os utilizo para fazer os trabalhos escolares, e passei a pegar livros emprestados da biblioteca. Sempre que estou com tempo, estou lendo, porque desejo ser alguém na vida”, afirmou.

Eduardo contou que, de um tempo para cá, está se dedicando mais aos estudos. “Até estou me surpreendendo com os resultados das provas. Antes brincava muito, agora, estou mais centrado nos estudos. Então digo que, como o menino da história, eu também passei por uma transformação, e a escola passou a ter um significado diferente na minha vida”, ressaltou.

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