Hospital Infantil e Dona Regina recebem espaços humanizados e adaptados para crianças em situação de violência

18/05/2017 - Aldenes Lima e Camilla Negre/Governo do Tocantins

As vésperas do Dia Nacional de Combate à Violência e Exploração Sexual contra Criança e Adolescentes, celebrado neste 18 de maio, o Hospital Infantil de Palmas (HIP) e o Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) receberam, nessa quarta-feira, 17, novos espaços que vão ajudar a fortalecer o atendimento a crianças que passam por situação de violência. As obras foram implementadas pelo Governo do Tocantins e contou também com a parceria do Instituto Sabin, além de outros parceiros que colaboram com a implantação de Ludotecas, com materiais, brinquedos, objetos de decoração e paisagismo. A entrega dos espaços foi feita pela vice-governadora Claudia Lelis, representantes do Instituto Sabin e contou com a presença de autoridades e servidores da área da saúde, entre outros.

A vice-governadora Cláudia Lélis parabenizou toda equipe do Savi pelo trabalho realizado com crianças e destacou a importância do serviço. “Essa equipe se depara com situações difíceis e tem um preparo extraordinário. Vocês têm feito o diferencial na vida dessas crianças. Esta obra nos deixa muito felizes, e mais importante que o físico é a obra humana que tem um valor imensurável”, afirmou.

O gerente executivo do Instituto Sabin, Flávio Deboni, falou da satisfação da instituição em colaborar com a execução do projeto. “As ludotecas entregues nesta quarta têm a especificidade de um formato tão especial, que apesar de ter cara de brinquedoteca, tem uma finalidade diferente, que é tratar pessoas e amenizar os traumas”, afirmou, ressaltando que “esse é um projeto que tem a finalidade de qualificar e melhorar o atendimento de órgãos públicos que já prestam atendimento de casos de violação de direitos de crianças e adolescentes”.

Na ocasião, o subsecretário de Estado da Saúde, Marcus Senna, disse que “ter um espaço adequado e propício é fundamental para se atingir a política de saúde necessária para atender a esses casos. A ideia é humanizar o atendimento para evitar revitimização, deixar de expor a vítima, evitar que ela narre o fato diversas vezes para diferentes pessoas. É concentrar dentro do hospital, em uma narrativa toda a situação de violência”.

A promotora de Justiça, Maria Roseli de Almeida Pery, afirmou que a inauguração da ludoteca “é um momento gratificante para as crianças e para o Sistema Único de Saúde, que se concretiza em ações emocionantes como estas, voltadas para as crianças que são o futuro do país, para quem devemos ter um olhar especial e humanizado. Sou testemunha do trabalho realizado aqui no Infantil, em cada visita que faço, e vejo as políticas públicas de humanização que se implantam nesta unidade”, enfatizou.

Savi

O novo espaço no Hospital Infantil de Palmas será usado pela equipe multidisciplinar do Serviço de Referência no Atendimento de Crianças em Situação de Violência no Tocantins (Savi), que atua 24 horas em regime de urgência e emergência. A coordenadora do serviço, Rosivânia Tosta, destacou que a obra é uma junção de inúmeros parceiros que abraçaram o projeto e apoiaram desde o início e teve a fala completada pela diretora do hospital, Leiliane Alves: “Isso nos deixa muito felizes porque agora as crianças terão um espaço mais humanizado”, destacou.

Instituído em setembro 2015, o Savi conta com uma equipe composta por médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros. Lá é realizado o primeiro atendimento e o acompanhamento ambulatorial, sendo referência no atendimento às crianças de ambos os sexos, na faixa etária de zero até 11 anos, 11 meses e 29 dias, em situação de violação de direitos em decorrência de violência física, psicológica, sexual e negligência, crônicas e/ou agudas.

As crianças chegam ao Savi por meio de encaminhamentos de outros órgãos da Rede de Proteção, por procura espontânea de suas famílias ou responsáveis, e também são identificadas por demanda interna, dentre as próprias crianças internadas no HIP.

Além do acolhimento e atendimento às crianças e suas famílias, o Savi realiza o imediato encaminhamento aos demais serviços necessários (Instituto Médico Legal, Delegacia da Criança e Adolescente, Conselho Tutelar, dentre outros), conforme diretrizes do Ministério da Saúde e outras normas vigentes.

Dia Nacional

Dando continuidade à programação em decorrência do Dia Nacional de Combate à Violência e Exploração Sexual contra Criança e Adolescentes, nesta quinta-feira, 18, às 10 horas, a diretora do Hospital Infantil de Palmas, Leiliane Alves da Silva, e a coordenadora do Savi, Rosivania Tosta, participarão de uma ação educativa realizada pelas Secretarias Municipal de Saúde e Ação Social da cidade de Paraíso.

Já às 16h30, em Palmas, as equipes do Savi e Psicologia e Brinquedoteca do HIP realizarão atividades educativas na Ludoteca do Infantil. As duas atividades contarão com a participação de acadêmicos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) que atuarão como animadores infantis.

Savis

O Serviço de Atenção Especializada às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Savis) do Hospital e Maternidade Dona Regina, em funcionamento desde 2012, já atendeu aproximadamente mil vítimas de violência sexual, de todas as idades e de ambos os sexos e passará a contar com mais sigilo e segurança com a ampliação do espaço físico, que passará a ter duas salas de atendimento, uma sala de coleta de vestígio para a cadeia de custódia, em fase de implantação em parceria com a Secretaria de Segurança Pública, e uma sala para guardar os vestígios.

“É uma junção da Saúde com a Segurança Pública. A pessoa vai tomar a profilaxia, registraremos as informações que serão enviadas para o delegado de plantão, ele transformará o relato em Boletim de Ocorrência (B.O), devolverá ao Savis, imprimiremos, e por último a pessoa assinará. Os médicos serão capacitados para coleta de vestígios, serão médicos peritos, colherão os vestígios aqui e depois enviaremos para o Instituto Médico Legal, após isso a pessoa pode tomar banho e irá para casa”, destacou a coordenadora Zelma Moreira.

A diretora geral do Dona Regina, Débora Petry, reforçou que quando uma pessoa chega a unidade ela tem que sentir segurança, tem que se sentir acolhida para contar sua história. “Esse espaço gera confiança e as pessoas vão começar a procurar mais o serviço”, disse.

Ludoteca

“A ludoteca tem uma representação muito forte no atendimento das crianças. Os brinquedos lúdicos, que têm um papel fundamental no atendimento, são brinquedos estratégicos. Às vezes a criança não sabe falar o que passou, mas pode mostrar brincando. A casinha, por exemplo, tem o lugar onde ela dorme que podemos questionar com quem ela dorme, quem ela quer receber no quarto, tudo isso ajuda no nosso trabalho” disse Zelma Moreira.

A coordenadora acrescentou ainda que as crianças encontrarão no novo espaço um ambiente aconchegante e depois disso vão naturalizar a rotina dentro do serviço. “Elas chegam, mexem no fogão, na casinha e começam a contar a história dela” disse.

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