Alunos da Companhia MundArt aproveitam as férias para aperfeiçoar passos de dança

23/01/2019 - Josélia de Lima/Governo do Tocantins

A Companhia de Artes MundArt, do Colégio Estadual São José, deu tão certo que os seus componentes aproveitaram o período de férias para aperfeiçoar passos, gestos e fortalecer a amizade entre o grupo. Com isso, a unidade escolar promoveu, pela primeira vez, uma colônia de férias para os alunos interessados. Eles participaram de oficinas de leitura, de produção de máscaras e de rodas de conversas sobre a vida.

Como resultado, a equipe gestora e coordenadores apontam mudanças extraordinárias na vida desses estudantes. Railene Soares, de 17 anos, que irá cursar a 3ª série do ensino médio, falou da transformação que as aulas de dança promoveram em sua vida. “Gosto de danças urbanas, foi por isso que vim participar da Cia de Artes da escola, mas não imaginava que a dança iria me transformar tanto. Passei a conhecer o valor da humildade e a ajudar mais a minha mãe com as tarefas da casa. Também percebi que diminuiu a ansiedade que tinha, depois que passamos a fazer meditação, durante as aulas de dança”, contou.

As aulas de danças estão sendo ministradas de forma voluntária pelo professor Luiz Felipe Souza, da Zen Art. A Cia de Artes foi criada em 2018 e já foi premiada pelo Festival de Artes das Escolas promovido pela Prefeitura de Palmas.

Para o diretor da escola, José Antônio Aguiar Gama, a maior premiação é o resultado que esses alunos estão apresentando na vida. “Apoiamos essas iniciativas que atuam para ampliar a autoestima dos alunos, trabalham o protagonismo juvenil e promovem um novo olhar para os jovens”, explicou o diretor. De acordo com José Antônio, essas atividades de artes, de aulas criativas, de esportes, auxiliam no despertar das habilidades dos alunos e, com isso, há uma redução dos casos de alunos com baixa autoestima, de jovens com pensamentos de suicídio e sem motivação para estudar.

A dança transformou o estudante Lucas Daniel, de 17 anos, que cursará a 3ª série do ensino médio. “A dança se tornou parte de minha vida. Passei a ser mais feliz, a ter autoconfiança, a sorrir mais e a estudar mais”, disse.

O professor Felipe comentou que percebeu, nesse período de trabalho com artes, algumas mudanças significativas. “Eles passaram a falar com impostação de voz, a cuidar mais um do outro. Podemos dizer que esses alunos que não viajaram no período das férias fizeram, aqui na escola, uma viagem por várias dimensões da arte e do conhecimento”, contou.

Todo o trabalho está sendo realizado com o apoio da auxiliar de biblioteca Wédna da Cunha Alves, que ajuda com a logística de materiais. “A dança trabalha o lado humano e a criatividade com as coreografias, com os figurinos. Na roda de leitura, estudamos sobre histórias da mitologia grega, e os jovens perceberam que são temas que têm muita relação com a atualidade”, afirmou.

Escola de tempo integral

O Colégio São José passou a fazer parte do programa de Fomento à Implementação de Escolas do Ensino Médio em Tempo Integral, que contempla a oferta de disciplinas diversificadas para contribuir com as disciplinas da Base Nacional Comum. Nesta metodologia, os estudantes terão a oportunidade de expressar suas aptidões artísticas e culturais nos clubes de protagonismo, por meio dos quais têm a chance de aperfeiçoar seus talentos, ao passo que realizam devolutivas das ações à escola, em forma de apresentações e compartilhamento com os colegas.

Estudos e conversas com os pais

Como o Colégio São José foi transformado numa unidade de escolar de tempo integral, os educadores estão estudando sobre a metodologia que será implantada. “Estamos encantados com esse trabalho de promover o protagonismo juvenil nas escolas do ensino médio, de orientar os estudantes para que pensem e elaborem seus projetos de vida”, frisou o diretor José Antônio.

Carlos Henrique Santos procurou a escola nesta quarta-feira, 23, para conhecer como funcionará a nova metodologia. Ele explicou que faz parte de uma família que está sempre se preocupando com a educação dos filhos. O seu filho, Carlos Henrique, tem 17 anos, e irá cursar a 2ª série do ensino médio e já é um empreendedor, aprendeu a fazer blocos de gesso, e já está aprendendo a ser autossuficiente financeiramente. “Gostamos de conhecer a escola onde os nossos filhos estudam, saber a hora que saem para orientá-los a não ficar na rua. Graças a Deus, os meus filhos prezam pelo estudo e estamos felizes com isso”, comentou Carlos Henrique.