Área de Proteção Ambiental do Jalapão completa 20 anos

31/07/2020 - Wanja Nóbrega e Tânia Caldas/Governo do Tocantins

Criada em 31 de julho de 2000, pela Lei n° 1.172, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão completa 20 anos nesta sexta-feira. Ocupando terras dos municípios de Mateiros, Novo Acordo e Ponte Alta do Tocantins, a APA serve como uma zona de amortecimento para o Parque Estadual do Jalapão (PEJ), localizado dentro da APA.

Importante reserva ambiental, a APA do Jalapão é gerida pelo Governo do Tocantins, por meio do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), que mantém no local uma equipe técnica para garantir a manutenção de suas riquezas naturais, que são imprescindíveis não apenas para o Estado, mas para todo o Brasil.

No interior da APA, são realizadas ações de desenvolvimento sustentável apoiadas pelo Naturatins, como Manejo Integrado do Fogo (MIF), Extrativismo Sustentável, Agricultura Familiar e o Turismo de Base Comunitária.

Segundo a gestora da APA do Jalapão, Rejane Nunes, a equipe da APA vem realizando encontros com as comunidades rurais desde 2015, como forma de incentivar as práticas sustentáveis, garantindo renda e, ao mesmo tempo, preservando o local. “Temos realizado um rigoroso trabalho de educação ambiental e, hoje, as pessoas que moram na APA entendem a importância de protegê-la”.

Para Rejane Nunes, outra ação importante realizada pelo Naturatins, na APA, é o Manejo Integrado do Fogo, utilizado como estratégia de gestão do território. O fogo sempre foi usado pelos comunitários como ferramenta de manejo do solo, seja para a renovação da pastagem, o preparo da roça, o manejo do capim dourado ou a proteção de veredas e nascentes. O problema é que, no caso de o fogo ser usado sem técnica e acompanhamento, é possível perder o controle e virar incêndios florestais. 

“Nos dias atuais, o uso está sendo aplicado com base no diálogo, com participação e responsabilidade, de forma a conhecer, entender e relacionar os conhecimentos e as necessidades das populações locais com o objetivo de criação da unidade de conservação, e isso tudo atendendo às técnicas do MIF”, esclarece a gestora da APA.

Rede Jalapão

Formada por famílias da região, a Rede Jalapão foi criada para incentivar a produção artesanal, bem como promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais. Assim, os comunitários têm geração de renda, segurança alimentar e gestão comunitária como alternativa.

Rejane Nunes explica que a Rede Jalapão é composta por famílias agroextrativistas dos municípios de Mateiros, São Félix, Novo Acordo e Ponte Alta do Tocantins. “Instituições parceiras, colaboradores, comunidades com interesses voltados para a conservação do Cerrado e que buscam, ao mesmo tempo, alternativas de melhoria da qualidade de vida para os moradores rurais da região que também fazem parte da Rede", afirma a gestora da APA.

A Rede Jalapão foi criada em 2007, com objetivo de garantir o extrativismo sustentável às famílias que vivem nas zonas rurais da APA do Jalapão. Esse tipo de extrativismo ensina o manejo de práticas de exploração, que causam o mínimo impacto ambiental, ao fomentar a renda da população e agregar valor aos produtos por meios de processamento artesanal.

As famílias da Rede Jalapão vêm se destacando na produção associada e nas atividades de turismo de base comunitária, com seus produtos manufaturados. Essas famílias buscam alternativas ao uso do capim dourado, na intenção de minimizar os impactos sobre essa matéria-prima, além da gama e do potencial de outros insumos disponíveis. “Isso com foco na ampliação de produtos fartos na região, que ajudam a promover ainda mais a biodiversidade do Cerrado, a cultura e a manutenção dos saberes tradicionais”, completa Rejane Nunes.

Turismo

Outra atividade econômica importante para os moradores do Jalapão é o turismo. Mas, por se tratar de uma área de enorme biodiversidade, o Naturatins mantém rigorosa fiscalização para garantir que as visitas, mais numerosas a cada ano, não causem danos irreparáveis ao lugar.

Com base nessa preocupação, a supervisora da APA do Jalapão explica que, atualmente, é aplicado na unidade de conservação, o conceito de turismo de base comunitária, atividade onde as famílias são protagonistas, donas do seu próprio negócio. Elas planejam, implementam e monitoram, numa atividade que leva em consideração as sustentabilidades social e ambiental.

Nesta data tão importante para a região do Jalapão, o presidente do Naturatins, Sebastião Albuquerque, homenageia todos os moradores dos municípios que compõem a localidade, além das comunidades tradicionais que residem no interior e no entorno das unidades de conservação do Estado, de responsabilidade do Naturatins.

Sebastião Albuquerque afirma que o Governo do Tocantins preza pela boa relação com essas comunidades, bem como incentiva ações que desenvolvam a sustentabilidade e a riqueza dos recursos naturais de toda região. Ele atribui à boa convivência com os moradores, as políticas de aproximação do Naturatins com a população local que ocorrem desde há muito tempo.

“O Jalapão é conhecido nacionalmente pelos seus atrativos turísticos e pela cultura local. Temos que promover a união de iniciativas que estimulem a economia local ao mesmo tempo que contribuam para proteção ambiental do território, aliando a qualidade de vida e o bem-estar da comunidade”, considera o presidente do Naturatins.

Criação

A Área de Proteção Ambiental do Jalapão (APA Jalapão), com cerca de 461.730 hectares, ocupa terras dos municípios de Mateiros, Ponte Alta do Tocantins e Novo Acordo. Foi criada no dia 31 de julho de 2000, pela Lei n° 1.172, e pertence à categoria de Unidades de Conservação (UCs) de Uso Sustentável.

A APA possui atributos naturais e culturais importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações; e tem importância na proteção da diversidade biológica, em ordenar o processo de ocupação humana e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Em seu entorno, estão situadas três importantes UCs de Proteção Integral da região: Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba e Parque Estadual do Jalapão. Por isso, é compromisso da APA do Jalapão assegurar o uso territorial de forma sustentável e responsável perante os recursos naturais dos locais, incentivando o desenvolvimento socioeconômico.

A unidade funciona como uma zona de amortecimento para o Parque Estadual do Jalapão e propicia a conectividade do Parque a sul com a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins e a oeste com o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba.

Por sua localização estratégica, ela faz parte do Corredor Ecológico Jalapão/Mangabeiras. Registra em seus limites a presença de espécies ameaçadas de extinção, como o Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus) e arara-azul-grande (Anodorhyncus hyacinthinus) e o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), uma das aves mais ameaçadas das Américas.

Já o Parque Estadual do Jalapão (PEJ), contido pela APA, foi criado pela Lei Estadual n° 1.203, de 12 de janeiro de 2001, também pertencente à categoria de Unidades de Conservação de Proteção Integral do estado do Tocantins. O PEJ foi criado com objetivo de preservação dos recursos naturais da região na qual está inserido, fato que restringe suas formas de exploração, admitindo-se apenas o aproveitamento indireto de seus benefícios.

O Parque está inserido na área nuclear da APA do Jalapão, representando mais de 158.000 hectares. Mesmo com tamanha dimensão, a área total do PEJ se concentra em apenas um município tocantinense, Mateiros, sendo que seus limites atingem os marcos divisórios deste com os municípios de Ponte Alta do Tocantins, São Félix do Tocantins e Novo Acordo.

 

Edição: Lenna Borges

Revisão Textual: Marynne Juliate

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