Povos indígenas do Brasil buscam o domínio de idiomas estrangeiros

09/11/2011 - Ascom/Samuel Daltan

A necessidade de se falar português, inglês, espanhol e outros idiomas não é apenas uma preocupação de famílias tradicionais da classe média brasileira. Essa é uma necessidade levantada e debatida na manhã desta quarta-feira, 9, em uma das mesas de reuniões do Fórum Social dos XI Jogos dos Povos Indígenas que estão acontecendo de 5 a 12 de novembro na Ilha de Porto Real, no município de Porto Nacional (TO). Vários líderes indígenas participaram da temática que teve à frente o coordenador geral do evento, Marcos Terena, e a advogada indígena, Fernanda Kaingáng.

Atualmente cerca de um milhão de indígenas habitam o território brasileiro, distribuídos em 240 povos. Para a mestre em Direito, Fernanda Kaingáng, hoje em dia os indígenas precisam buscar uma “participação plena” nas discussões internacionais sobre o futuro do meio ambiente do planeta. E para isso, o domínio de línguas como o inglês e o espanhol, além do português, é fundamental. “É importante que nossa participação em grandes eventos internacionais não seja apenas numerosa e sim participativa. Precisamos falar outros idiomas para termos voz”, destacou.

O trabalho para que os resultados sejam alcançados já começou e o foco prioritário é a Rio+20 – a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que será realizada em 2012 na cidade do Rio de Janeiro. Estão sendo realizadas capacitações em várias aldeias do País para que os indígenas saibam como funcionará a Conferência e possam contribuir com propostas. “Lá (na Rio+20) vamos mostrar para a juventude do Brasil como será o futuro do país”, afirmou Marcos Terena ao falar sobre a defesa das questões relativas ao meio ambiente e à “economia verde”. O desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza serão questões norteadoras dos debates da Conferência.

Os povos indígenas do Tocantins também estão se organizando para participar da Rio+20. Isso é o que diz o presidente da União Indígena Xerente do Estado, Srêwe Xerente. “Até o final do ano vamos fazer capacitações aqui no Estado para que possamos formar propostas e representantes para a Rio+20”, ressaltou. Para ele, a necessidade do domínio de outros idiomas também é preocupação dos povos tocantinenses.   

A nova cara dos indígenas brasileiros

Com 33 anos de idade, a indígena Fernanda Kaingáng é referência nacional no que diz respeito à defesa dos direitos indígenas e pode ser considerada um modelo para as próximas gerações. Entre todos os povos indígenas, ela foi a primeira advogada do Sul do Brasil e a primeira mestre em Direito do País. Especialista em meio ambiente, também fala português, inglês e espanhol, além da língua do povo Kaingáng - atualmente o terceiro maior do Brasil e o maior da região Sul do país, com quase 50 mil indígenas.

Segundo Fernanda Kaingáng, cada vez mais indígenas estão saindo das aldeias e buscando capacitação, sem deixar de lado seus costumes e cultura. Ela é a responsável pela capacitação dos povos indígenas para a Rio+20.