Tocantins investe R$ 126,5 mi para conservação do Cerrado; bioma abriga grandes reservas de água subterrânea

11/09/2015 - Marcus Wagner/Governo do Estado

No dia 11 de setembro, comemora-se o Dia Nacional do Cerrado, considerado uma das savanas mais ricas do mundo, estando presente em um quarto do território brasileiro e na maior parte do território do Tocantins.  A data foi escolhida em homenagem ao ambientalista Ary José de Oliveira, o Ary Para-Raios, um defensor dos direitos humanos e do meio ambiente, que transformou a cultura do bioma Cerrado em arte mambembe. Ary foi o fundador do grupo teatral Esquadrão da Vida – uma das mais conhecidas trupes de artistas do Distrito Federal.

É no Cerrado que nascem os rios que formam seis das principais regiões de hidrográficas brasileiras: Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica. No Tocantins, o bioma abriga grandes reservas de água subterrânea e é berço da Bacia Hidrográfica Tocantins-Araguaia, um dos principais propulsores do desenvolvimento social e econômico do Estado. O potencial hídrico do bioma faz jus ao título de berço das águas. Até mesmo a bacia hidrográfica do Amazonas recebe as águas que brotam no Cerrado.

A paisagem do Cerrado, com suas cachoeiras, cascatas, cânions, lagos, rios e riachos, é uma atração para visitantes de diversas regiões do Brasil e do mundo. A beleza incomparável para os que buscam lazer, esportes ou o simplesmente um maior contato com a natureza, movimenta a economia dos estados e municípios da região.

A degradação do bioma já é responsável pelo mesmo nível de emissões de gás carbônico da Amazônia. De acordo com relatório do Ministério do Meio Ambiente (MMA), a destruição do bioma Cerrado (que é ocupado por dez estados e o Distrito Federal) chega a 127,5 mil km². O relatório aponta ainda que 12 mil espécies desapareceram, mas a desertificação e o avanço de culturas agressivas só aumentaram. De acordo com o estudo, a pecuária extensiva, o plantio de cana-de-açúcar, bem como o plantio de soja para a exportação são os vilões da degradação do Cerrado. A área desmatada cresceu 6,3% no período de 2002 a 2008, passando de 41,9% para 48,2%, ou seja, quase um milhão de km² (praticamente a metade do bioma).

Para conter o avanço da degradação do Cerrado no Tocantins, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) realiza desde 2010 diversos estudos e projetos financiados por organismos nacionais e internacionais. Dentre eles, o GEF - Cerrado Sustentável, os componentes ambientais do Projeto de Desenvolvimento Regional Sustentável e Integrado (PDRIS), o Projeto Cerrado Jalapão, de controle e combate às queimadas, e o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Juntos, os projetos e programas somam cerca de R$ 126,5 milhões de investimentos que contribuem para redução do desmatamento ilegal e da degradação ambiental do bioma Cerrado no Estado.

“Estamos trabalhando continuamente com diversas frentes não só para a conservação ambiental e recuperação de áreas degradadas, como também para garantir que o Cerrado seja um aliado para o desenvolvimento sustentável do campo e das cidades do nosso Estado”, ressaltou a secretária de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Meire Carreira.

A secretária destaca ainda a importância do Cerrado para a manutenção dos recursos hídricos e desenvolvimento econômico da população da região. “O Cerrado é muito importante para a manutenção dos recursos hídricos, pois sua área incide sobre um espaço territorial onde se encontram as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul, sendo considerado um gigantesco coletor e distribuidor de água, crucial para o abastecimento das principais regiões do Brasil. Economicamente, o Cerrado tem grande importância social para as populações que sobrevivem de seus recursos naturais, como exemplo, aqui no Tocantins, temos as quebradeiras de coco de babaçu e as comunidades quilombolas que produzem o artesanato com o capim dourado”, ressaltou.

Dez motivos para o Cerrado se tornar Patrimônio Nacional

1- É no Cerrado que nascem rios importantes como: o São Francisco, o Jaguaribe, o Parnaíba, o Tocantins, o Araguaia, o Xingu, o Madeira, os formadores do Paraguai (o Pantanal), o Paranaíba, o Grande e o Rio Doce, o que dá ao bioma Cerrado, o título de caixa d’água do Brasil. Sua devastação ameaça o fornecimento de água doce no País, e pode nos levar a uma crise energética. Estima-se que 95% da população brasileira dependem da energia gerada pelas águas do Cerrado.

2- 30% da biodiversidade brasileira estão no Cerrado. Com a devastação, uma riqueza incalculável ainda não pesquisada está desaparecendo. 44% das espécies do Cerrado são endêmicas, ou seja, só existe aqui. O Cerrado é a savana mais rica do mundo.

3- 70% do Cerrado já foram destruídos. Dos 30% restantes, apenas 5% constituem áreas suficientemente grandes para manter a biodiversidade, os outros 25% tendem a desaparecer.

4- Contém metade dos pássaros do Brasil. A grande diversidade de espécies animais apresenta uma forte associação com os ecossistemas locais. Várias espécies como a onça-pintada, o lobo-guará, o tatu-canastra e a águia cinzenta estão ameaçadas de extinção.

5- Cumpre um importante papel de interligação entre os biomas Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Amazônia, sendo o único bioma brasileiro com essa característica. Como na natureza tudo funciona de forma integrada, ao se arrancar o “miolo” de um ser vivo, ele obviamente morre.

6- Encontra-se na lista dos 34 hotspots – as regiões do mundo que concentram os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação são mais urgentes – elaborada pela Conservation International.

7- Abriga imensa sociodiversidade de povos e comunidades tradicionais, indígenas, sertanejos, ribeirinhos e quilombolas, que estão com suas culturas ameaçadas pelo impacto do avanço da fronteira agrícola. Tais culturas têm o conhecimento, trazido pela vivência, de como lidar com a complexidade do Cerrado para mantê-lo vivo.

8- O ritmo de devastação é três vezes maior do que o da Amazônia, da ordem de 3 milhões de hectares/ano. Apenas 2% da área são preservadas por lei.

9- A estimativa é de que o bioma Cerrado desapareça em 22 anos, caso o atual modelo predatório de desenvolvimento seja mantido.

10- As emissões de carbono do Cerrado aproximam-se da quantidade emitida pela Amazônia. A redução destas emissões pode justificar compensação financeira e fortalecer o nome do Brasil nas negociações internacionais.

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